10/05/16

Pensamos de mais e sentimos de menos


 




"Queremos todos ajudar-nos uns aos outros. Os seres humanos são assim. Queremos viver a felicidade dos outros e não a sua infelicidade. Não queremos odiar nem desprezar ninguém. Neste mundo há lugar para toda a gente. E a boa terra é rica e pode prover às necessidades de todos.
O caminho da vida pode ser livre e belo, mas desviamo-nos do caminho (...)  Pensamos de mais e sentimos de menos. Precisamos mais de humanidade que de máquinas. Se temos necessidade de inteligência, temos ainda mais necessidade de bondade e doçura. Sem estas qualidades, a vida será violenta e tudo estará perdido."

 
(Charles Chaplin, in 'Discurso final de «O Grande Ditador»')




 - imagem: https://pixabay.com
 



 

30/04/16

Sorriso e um café, por favor


D. Maria era uma mulher que sabia bem das coisas da vida.
Quando a conheci, já tinha completado 81 invernos rigorosos, gostava ela de assim dizer, aludindo às dificuldades por que passara.
Senhora experiente, que toda a vida lutou para subsistir, primeiro ao lado do marido, depois, quando ele faleceu, ainda jovem, prosseguiu a luta sozinha para sobreviver neste mundo cão e para criar os dois filhos.
Aprendera que a vida é muito difícil de ser levada, mas com um sorriso, empurra-se melhor a carga.

Do alto dos seus oitenta e tal anos, não tolerava gente de ar carrancudo. Dizia que as pessoas pareciam não saber sorrir, o que se tornava mais grave, quando em profissões em que tinham que lidar com o público, que não tinha culpa nenhuma do que lhes ia na alma. "Esta gente insiste a manter a cara fechada, não sabem abrir as portas ao outro. Enxotam os clientes" - e D. Maria havia de saber bem do que falava, pois que trabalhara mais de vinte anos num café de muito movimento da cidade do Porto, e contava com orgulho estampado na cara, que era conhecida pelo seu "sorriso sempre aberto fizesse chuva ou sol na minha vida" - dizia.

Tornou-se um hábito tomar café com essa senhora durante os quatro anos que ainda viveu, e quando, porventura, na cafetaria se aproximavam de cara fechada e lhe perguntavam o que desejava, respondia com seu ar brejeiro que o tempo não apagou:
- Sorriso e um café, por favor.